
Olá de novo, caminhantes blogueiros.
Draco Constelation
medidas: 1,00 x 0,60
Óleo sobre Tela
1999
Este quadro que vos trago é um daqueles que eu chamo de "entre quadros".
Ou seja, saiu por instinto. Sem nada definido, delineado, preparado. Apeteceu-me fazer enquanto estava preparando outros.
É a minha representação da Constelação do Dragão.
É uma das 88 Constelações modernas. E uma das 44, de Ptolomeu.
A estrela Thuban (Draconis) era a estrela do Polo Norte cerca de 2700 anos antes de Cristo, durante a época dos antigos egipcios.
É a estrela mais brilhante da Constelação de Draco.
Estes quadros quando me saem sem nada definido dão-me imenso prazer.
Como exemplo do que digo, deixo-vos mais uma história de Chuang Tzu, mas desta vez preparada e adaptada por mim à pintura.
"Pintar é como uma dança.
Os movimentos da mão, os jeitos do ombro, os movimentos dos pés, o som do pincel ao ser mergulhado e o amaciar a tela com a tinta, tudo num ritmo perfeito. Como se fosse uma dança ou uma sinfonia.
Temos de procurar agir de acordo com o Tao, a ordem natural das coisas.
É algo que está para além da técnica.
Quando comecei, via à minha frente uma tela enorme, branca, e não conseguia diferenciar os pormenores do que ia pintar.
Mas depois de, mais ou menos, três anos de prática já não via o que ia pintar como um todo.
Via as cores que compunham um pormenor.
Via as distinções.
E agora os meus sentidos param de funcionar e é o espirito que me guia livremente.
Seguindo o instinto, sigo o caminho natural deixando o pincel encontrar o seu rumo entre as muitas opções escondidas, tirando proveito do que lá está, naquela tela a princípio vazia, branca, sem nunca tocar num pormenor que descobri ou numa situação que pintei. Importante.
Um bom pintor usa a sua pincelada até à exaustão porque sabe o que quer, enquanto um pintor medíocre tem de a mudar constantemente porque só sabe... pintar.
Pintar é deixar um pouco da sua alma.
Ou mesmo toda.
Com a minha pincelada já pintei centenas de quadros, e mesmo mudando de tema, ela está fresca, é reconhecida por quem conhece o meu trabalho, mesmo não sabendo de quem é a obra exposta.
É por isso que passado estes anos todos, a pincelada continua com alma, está fresca.
É verdade que há pormenores mais difíceis.
Quando os sinto aproximar, avalio bem o pormenor que surgiu e olho-o com cuidado, mantendo sempre os olhos no que faço e trabalhando devagar.
E então com movimentos suaves, pinto-o na tentativa da perfeição.
E ele “desmancha-se” como um torrão de terra ao cair no chão.
Aí retiro a mão e fico parada, com a sensação de ter conseguido algo muito importante.
Depois lavo o pincel e deito-o ao meu lado.
Comentário:
Há um modo natural de fazer as coisas, há soluções naturais para os problemas.
Se agirmos de acordo com a natureza das coisas - o Tao -, conseguimos fazer tudo melhor e sem que isso nos crie nenhum problema.
Continuaremos sempre frescos como a pincelada do pintor.
Perante qualquer problema, devemos aceitar que as coisas sejam como são sem desejar que a situação fosse outra, diferente do que na realidade é. Porque isso só iria criar resistência e tensão.
Devemos prestar atenção à ordem natural das coisas e trabalhar com ela em vez de contra ela.
E veremos que o trabalho prossegue mais rápida e facilmente se pararmos de "tentar", de pôr demasiado esforço extra, de procurar resultados rápidos.
Há que simplesmente "dar uma ajuda" para que as soluções naturais ocorram."
Isto adapta-se a tudo o que fazemos no nosso dia a dia.
É a minha opinião.
Vale o que vale.
Pensem nisso.
Beijos a quem é de beijos, abraços a quem é de abraços.